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Política10 de set. de 2026 · 3 min de leitura

Operação "Make Up": STF assume investigação de desvios em filme sobre Bolsonaro

A Polícia Federal e o STF desvendam um complexo esquema de desvio de verbas públicas e emendas parlamentares destinadas a projetos sociais, mas que teriam sido usadas para financiar o filme "Dark Horse", uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O ministro Flávio Dino centralizou a apuração, indicando um "único sistema delitivo".

A investigação sobre o financiamento do filme "Dark Horse", que narra a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, escalou para o Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta quinta-feira (10), o ministro Flávio Dino derrubou o sigilo da Operação "Make Up", justificando a medida pela existência de "um só sistema delitivo" por trás dos repasses suspeitos. A decisão centraliza no STF a apuração que já mirava mais de 50 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, e que coloca em xeque a destinação de emendas parlamentares e a lisura de projetos sociais.

O Contexto das Emendas Parlamentares e o "Dark Horse"

Para entender a gravidade da situação, é preciso contextualizar o papel das emendas parlamentares. Esses recursos do orçamento da União são indicados por deputados e senadores para financiar projetos em suas bases eleitorais, muitas vezes de caráter social, cultural ou esportivo. A transparência e a correta aplicação dessas verbas são cruciais para a saúde democrática.

O filme "Dark Horse" ganhou notoriedade por sua temática pró-Bolsonaro. O cerne da investigação da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) é a suspeita de que emendas destinadas a projetos sociais tenham sido desviadas para financiar a produção cinematográfica, através de uma teia complexa de empresas e ONGs.

Os Mecanismos do Alegado Desvio

As apurações apontam para um sofisticado "circuito fechado" de desvio. Segundo a PF, o deputado federal Mário Frias (PL-SP) está no centro da trama, tendo enviado milhões de reais em emendas para ONGs presididas por Karina Ferreira da Gama, a produtora do filme "Dark Horse". Essas ONGs, por sua vez, teriam repassado os valores de forma suspeita.

Entre os indícios levantados, destacam-se:

  • Pagamentos Suspeitos: O Instituto Conhecer Brasil, entidade de Karina Ferreira da Gama, recebeu R$ 2 milhões de emendas de Mário Frias. Desse montante, R$ 300 mil foram pagos por um curso online que só foi disponibilizado após o término do convênio e teve pouquíssimos acessos. Outros R$ 2 milhões foram para comprar quimonos, uniformes e tatames para um projeto esportivo em SP, mas os materiais nunca foram entregues.
  • Movimentações Financeiras Atípicas: A produtora Karina Ferreira da Gama comprou um SUV híbrido pagando R$ 102.190 em dinheiro vivo, transação que gerou um alerta do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Além disso, a PF identificou que o Instituto Conhecer Brasil repassou R$ 8,5 milhões à Ultra Imagem, empresa que abasteceu outras empresas consideradas "laranjas", registradas em nome de uma cuidadora de idosos e um servente de obras.
  • Elos Políticos Adicionais: A investigação também revelou um repasse de R$ 1 milhão do ex-marqueteiro de Flávio Bolsonaro para a Go Up Entertainment, a produtora do filme. Embora os recursos não tenham sido efetivamente pagos, a PF aponta que outros parlamentares, como Marcos Pollon (PL-MS) e Bia Kicis (PL-DF), também assinaram emendas para organizações ligadas à produtora.

A Polícia Federal suspeita que houve uma "fragmentação proposital de valores" para dificultar o rastreamento das verbas públicas, caracterizando um esquema de lavagem de dinheiro e desvio de finalidade.

Implicações e Próximos Passos no STF

A decisão do ministro Flávio Dino de puxar a apuração para o STF, sob a alegação de um "só sistema delitivo", sinaliza a gravidade e a abrangência do caso. A Corte Suprema agora concentrará a análise de todas as ramificações, que podem atingir diversas figuras públicas e ampliar o escopo da operação.

A sociedade brasileira aguarda ansiosamente por respostas claras e pela responsabilização dos envolvidos. A transparência na aplicação de recursos públicos e a integridade do processo legislativo são pilares essenciais da democracia. A centralização da investigação no STF pode acelerar as apurações e trazer à tona a verdade sobre o financiamento do "Dark Horse" e o suposto esquema de desvio de verbas, cujas consequências políticas e jurídicas ainda estão por se desdobrar. O caso reforça a necessidade de vigilância constante sobre a destinação do dinheiro público.

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